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Fat Girl - a true story

"Sou gorda. Não a ponto de não ser capaz de apertar o cinto no avião, mas lá gorda sou. Queria escrever acerca do que significou e significa para mim o facto de ser gorda.(...)Não sou uma activista gorda. Não se trata aqui da necessidade da aceitação de pessoas gordas, embora preferisse que as pessoas magras não me considerassem repugnante.Sei por experiência própria o que é ter sido magra e ter ouvido as pessoas magras falarem das gordas, e como é frequente os magros denegrirem os gordos. Na melhor das hipóteses sentem pena deles. Também sei que quando uma pessoa magra olha para uma gorda, a magra considera a gorda menos virtuosa que ela.


A gorda carece de força de vontade, de orgulho, dessa miserável atitude, a "auto-estima", e não se preocupa com os amigos nem com os familiares, porque se se preocupasse com eles não andaria pelo mundo com esse aspecto de repugnante suíno, rinoceronte, hipopótamo, elefante, de monstro de grandes beiços e cheio de banhas. (...).
 Detesto-me. Quase sempre me detestei. Tenho boas razões para o fazer, mas não por más acções praticadas. Não me odeio por traições, por ter apunhalado nas costas alguém que tenha confiado em mim. Detesto-me por não ser bonita. Detesto-me por ser gorda. (...)Ter-me-ia porventura o amor servido de alguma coisa? Creio que o amor não me teria tornado magra. Além do mais, chegado o momento em que pensei no "amor" como sendo uma resposta, era demasiado tarde.
Eu era demasiado gorda para o amor. Mesmo quando era magra, era gorda.(...). Nunca desenvolvi tendências suicidas, mas também não dei pulos de alegria. (...). Entre as razões que levam as pessoas a guardar para si as histórias tristes encontra-se a de não quererem que se tenha pena delas. Eu não o quero. Não quero que tenham pena de mim. Sou aquilo que sou."

excertos de: Fat Girl de Judith Moore

A Chata Daquela Gorda

Autor: REGINA DRUMMOND
Ilustrador: SALMO DANSA

Sinopse

Com linguagem jovial, engraçada e colorida (isso mesmo!), conta a increditável história de uma garota, que vivia de mau humor e gostava de humilhar seus colegas, porém acaba descobrindo que ninguém gostava dela porque ela não gostava de si mesma e que se fazia de antipática para esconder suas mágoas. Num de seus dias de cor-de-nada, a chata daquela gorda atravessou a rua pensando em uma galinha assada, foi pega por um carro, jogada no ar e devolvida ao chão do lado oposto ao que estava, bateu a cabeçaa no meio-fio e morreu. Ou, pelo menos, foi isso o que todos pensaram. Este acontecimento mudará o rumo da história...

A História de Um Herói Obeso


A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, de Junot Diaz, apresenta uma visão impressionante a respeito da vivência norte-americana e da infindável capacidade do ser humano de perseverar - e arriscar tudo - em nome do amor.

A vida nunca foi fácil para Oscar. Nerd, dócil e terrivelmente obeso, morador do gueto de Nova Jersey, ele sonha em se tornar o Tolkien dominicano e, sobretudo, em encontrar um grande amor. No entanto, é possível que nunca realize seus desejos, graças ao fukú - uma antiga maldição que assola a família de Oscar há gerações, condenando seus parentes a prisões, torturas, acidentes trágicos e, acima de tudo, a paixões malfadadas. Oscar, que ainda anseia pelo primeiro beijo, é sua vítima mais recente - até o verão fatídico que ele decide tornar o seu último.
Editora: Record
Ganhador de diversos prêmios, entre ele o prêmio Pulitzer de 2008.

Hoje Acordei Gorda


Ao contrário do que se pode imaginar, nem todas as personagens desse livro são gordas: umas não são, mas se sentem; outras não se sentem, mas são; umas emagrecem, outras engordam; umas confundem suas fontes, outras sabem exatamente quais são; umas acusam o marido, outras, o endocrinologista; umas vão à luta, outras descambam; umas tomam laxante, outras deitam no divã do analista; umas se detestam, outras se adoram.
São todas habilmente delineadas pela mão de uma das poucas — e boas — escritoras cômicas que têm despontado na literatura nacional. Com humor sutil e apurado, Stella Florence promete conduzir os leitores a um agradável universo de entretenimento, que nos nossos dias se faz indispensável freqüentar.

Por Que suo Gorda, Mamãe?


Autor: MOSCOVICH, CINTIA
Editora: RECORD

Narrado em primeira pessoa por uma escritora que, em quatro anos engordou 22 quilos, o romance tenta investigar as possíveis causas da obesidade e da melancolia com doses de drama e humor. Essa personagem-narradora se dispõe a percorrer a própria história, imaginando que as razões de seu sofrimento estariam no passado, brincando com o limite entre realidade e ficção. A linha mestra deste romance é a transmissão geracional, seja ela a transmissão do amor parental, do ódio, de hábitos alimentares, de características familiares ou de personalidade.

'Por que sou gorda, mamãe?' também trata das crises de auto-imagem dos gordinhos. Aqui estão o ódio do próprio corpo, da compleição disforme em que se encontra, de uma herança genética que tira da narradora a escolha e a faz 'gorda feito uma baleia'. Ela odeia a comida que a engorda, mas ama o alimento que lhe dá prazer. Essas ambigüidades são ultrapassadas paulatinamente, grama a grama, garfada a garfada, capítulo a capítulo.

Dietomania - Jô Soares


Segundo a definição do dicionário, a gordura é uma substância animal, untuosa e de pouca consistência, que se derrete facilmente. Bem se vê que o ilustra Sr. Cândido de Figueiredo, autor do dito dicionário, nunca teve problemas de obesidade, já que uma das coisas mais difícies de se derreter é exatamente a gordura.


O mais impressionante é o interesse que hoje em dia todo mundo tem em perder peso. Posso falar tranquilamente no assunto porque, no frigir dos ovos, já cheguei a perder mais de oitenta quilos. Depois engordei uns quilinhos para ficar viçoso e fofo, mas mesmo assim tenho agora praticamente a metade do peso que tinha há alguns anos atrás. Por isso é que muita gente vem sempre me falar de dietas e de maneiras para se emagrecer. O que mais chama a minha atenção é que não é apenas o gordo que quer emagrecer. Hoje em dia até o magro quer perder uns quilos. No caso das mulheres então, é uma loucura. Cheguei a ver perfeitas manequins querendo saber como fazer para ficar mais magras. Ninguém está satisfeito com o que pesa, e os regimes deixaram de ser um privilégio dos gordos. Ao contrário, existem muito mais pessoas magras fazendo regime do que gordas. Virou moda. A dietomania tomou conta do mundo. Cada um tem sempre um sistema que é o infalível para emagrecer. Vejam algumas das dietas que existem por aí:


1) O jejum - O interessado se interna numa clínica qualquer especializada e passa vários dias sem comer. Alimenta-se exclusivamente de líquidos: um suco de manhã, outro no almoço e outro no jantar. Nesse tipo de dieta sente-se fome. Muita fome. Tem outro inconveniente: não pode ser feita a longo prazo ou a pessoa morre.


2) A galinha e o ovo - A pessoa que fizer esta dieta só pode comer uma galinha e dois ovos por dia. Meia galhinha e um ovo no almoço, meia galhinha e outro ovo no jantar. Esta dieta poderia também ser chamada de ALIMENTAÇÃO DO ETERNO RETORNO, uma vez que o ovo sai da galinha e vice-versa.


3) O regime das maçãs - ótimo para quem gosta de maçãs. Nesta modalidade, o sujeito pode comer quantas maçãs quiser, ou puder, durante o dia. Vinte, trinta, quarenta, não importa quantas. A primeira vista, para quem gosta da fruta, a dieta parace um sonho. Puro golpe psicológico: dificilmente alguém consegue comer mais de seis mação por dia, por mais que varie na apresentação: assada, morna, ao ponto, verde, madura, gelada, congelada.


continua em 'O Astronauta sem Regime' - Jô Soares - p.30